6.3.12

Jornal O Timonense revela ação com denúncia de promotora

Num trabalho silencioso em conjunto com sua assessoria e o serviço de inteligência do Ministério Público, a promotora do patrimônio, Selma Regina Martins (foto) descobriu um escândalo de proporções inimagináveis na prefeitura de Timon antes de deixar o cargo nesta semana quando foi promovida para São Luis.

O trabalho investigativo que durou cerca de três anos e inicialmente foi desencadeado para apurar denúncias de enriquecimento ilícito de secretários municipais, acabou por revelar como funcionava o esquema das licitações de obras no governo municipal. No período de 2006 a 2007, a promotora descobriu que as empresas que ganharam a maior parte das licitações, na verdade, eram quase todas fantasmas, com endereços irreais e boa parte de seus “donos” nem sabiam que possuíam empresas no seu nome. Gente simples, de pouco conhecimento, estava sendo usada por espertalhões que na avaliação da promotora tinham o aval de membros do governo municipal como a prefeita Socorro Waquim e o Secretário de Infraestrutura, Delfino Guimarães.

Cinco empresas estão envolvidas no escândalo que resultou numa volumosa ação civil e criminal já denunciada pela representante do Ministério Público no último dia 12 de dezembro ao juiz dos Bens da Fazenda Pública, Dr. Hélio de Araújo Carvalho Filho.

A peça da ação do ministério público foi conseguida com exclusividade pelo jornal O Timonense.
Com 84 volumes, a ação está recheada de depoimentos e fotos que constatam que as empresas cinco empresas construtoras eram “Fantasmas” e seus sócios “Laranjas". Entre as empresas citadas estão a Ciclóide, Ananda Construções, Construtora Unidos e outras.

Segundo a promotora elas participavam do desvio de recursos públicos em Timon onde teria passado pelas mesmas quase dez milhões de reais.

Pela investigação a promotora mostra como pessoas simples movimentavam milhões de reais sem saber de nada. A Construtora Ciclóide, por exemplo, o seu operador era Antonio José de Paiva, de Caxias, mas a empresa estava no nome de Maria Francisca Delzuite Holanda. Interrogada pelo Ministério Público conta esta que nunca ficou sabendo de nada, apenas trabalhava como doméstica na casa do Sr. Paiva.

A Ciclóide foi uma das empresas que mais ganhou dinheiro nas licitações em Timon, abocanhando 4 milhões e 54 mil reais, segundo a promotora.

A Construtora Unidos tinha como sócio o laranja Eduardo Andrade dos Reis, um motorista. Seu operador era de fato Orlando Viana de Azevedo Paiva que movimentou em obras 1 milhão e 283 mil reais em licitações da prefeitura.

Foi comprovado pela promotora que a empresa Unidos não existia fisicamente. Constatou-se que o endereço apresentado na nota fiscal (Rua Jamil de Miranda Gedeon, 907, no Parque Piauí em Timon) era inexistente.

A Construtora AS Ltda era outra que utilizava os nomes de pessoas que nunca mexeram com construção. Ana Brito de Sousa e Jaqueline Sousa da Silva eram sócias proprietárias, mas seu procurador era Antonio José de Sousa Nascimento, operador da empresa.

Na nota fiscal da construtora constava o endereço na BR 316, KM 0, S/N, sala 01. Ao procurar o lugar indicado, descobriu-se que nunca empresa alguma funcionou no local e nada tinha, apenas um terreno limpo, mas que após as investigações, a promotora diz terem iniciado um esqueleto de construção que nunca terminou.

Na ação a promotora pede, através de liminar, o afastamento da prefeita Socorro Waquim, do secretário municipal de infraestrutura, Delfino Guimarães, a indisponibilidade dos bens de ambos, bem como ainda a condenação de membros da comissão de licitação da prefeitura e dos representantes das empresas construtoras envolvidas.

Blog do Elias Lacerda.

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