10.4.12

Maroni defende regulamentação da prostituição: “Sou a favor do sexo pago”

Idealizador da famosa boate Bahamas, na zona sul de São Paulo, o empresário de 61 anos, Oscar Maroni, defende proposta da Comissão do Senado para legalizar as casas de prostituição no Brasil e, ainda, regulamentar a profissão das garotas e garotos de programa no País. Segundo ele, a proibição dos prostíbulos serve apenas para estimular a "corrupção de policiais e dos agentes da Prefeitura". "Sei do que estou falando, tenho 20 anos de noite", afirma a Terra Magazine.

Condenado em primeira instância pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos – Maroni entrou com recurso para anular a condenação e espera resultado-, o empresário explica que, regulamentada e com direito a  carteira assinada, férias remuneradas e décimo terceiro salário, a prostituição daria "dignidade" às mulheres e evitaria que elas fossem "marginalizadas". "Sexo pago também é bom, desde que seja respeitada a dignidade da mulher, e isso acontece quando ela se prostitui por livre arbítrio", defende.

Proposta da Comissão do Senado, que deve ser apreciada até o fim de maio no Congresso, prevê o fim de punições para donos de prostíbulos. Segundo a legislação atual, está sujeito a pena de dois a cinco anos de prisão mais multa quem mantém casas de prostituição, sendo que a profissão de garotas e garotos de programa não é criminalizada nem regulamentada no Brasil.

Se aprovada no Congresso, a mudança pode abrir caminho para a regulamentação prostituição, já que será possível estabelecer vínculos trabalhistas entre o empregado do prostíbulo e o empregador.

Confira os principais trechos da entrevista

Terra Magazine: O que o senhor pensa sobre a proposta da Comissão do Senado de colocar fim à punição aos donos de prostíbulos e regulamentar as casas de prostituição no Brasil?

Oscar Maroni: Concordo plenamente com essa medida. É uma evolução do sistema jurídico do País, que é datado de 1940, e que considero um atraso. A lei, do jeito que está, incentiva a corrupção dos policiais e dos agentes da Prefeitura. Sei do que estou falando, porque já fui vítima disso. Considero que a lei evolui dessa forma porque pune quem explorar sexualmente a mulher ou menores de idade. Tenho 20 anos de noite e bastante experiência sobre a boemia em São Paulo. E é por isso que eu digo: essa lei, como está, só beneficia corruptos e precisa ser mudada.

Terra Magazine: O senhor concorda que a prostituição seja regulamentada, com carteira assinada, férias remuneradas, décimo terceiro salário e todos os direitos do trabalhador?

Oscar Maroni: Sim. O intelectual aluga o cérebro, o trabalhador braçal aluga os músculos, e a garota de programa, desde que faça de livre e espontânea vontade, aluga as fantasias sexuais, aluga o companheirismo, tira o homem da solidão e, algumas vezes, até atua de psicóloga. Considero a prostituição uma profissão que deve ser regulamentada, porque se não for, ela é criminalizada, a prostituta é marginalizada, e acaba trabalhando no submundo, o que traz coisas drásticas para a vida dela…

Terra Magazine: O senhor acha que o Brasil está preparado para medidas desse tipo?

Oscar Maroni: Para a liberdade, não existe tempo. Os moralistas usam essas coisas para tentar se provover com opiniões hipócritas, mas não existe tempo para a liberdade…

Terra Magazine: Mas isso concretiza o famoso lema: "viva a p…"

Oscar Maroni: Não, acho que não. Sou a favor de pênis ereto, vagina molhada, e que cada um coloque a boca onde bem entender. Sexo pago também é bom, desde que seja respeitada a dignidade da mulher e isso acontece quando ela se prostitui por livre arbítrio.
Terra Magazine.

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