28.8.12

Cristovam Buarque diz que escola do PI mostrada no CQC é a pior do mundo

Futuro reprovado, por Cristovam Buarque


O Brasil foi reprovado no vestibular para o futuro. Porque o futuro tem a cara de sua escola no presente.

Nas últimas séries do nosso Ensino Fundamental, as escolas públicas, onde estuda a maior parte de nossos alunos, a média do IDEB –Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - foi de 3,9. As escolas particulares foram aprovadas, mas com a sofrível nota 6. A média ponderada pelo número de alunos é de 4,1, envolvendo 1,8 milhões de alunos nas particulares, com a média 6,0, e 12,4 milhões de alunos, nas públicas, com média 3,9.

No Ensino Médio, a média ponderada, incluindo as particulares é de 3,7.

Além da reprovação geral, o IDEB mostra que o Brasil é dividido pela desigualdade na educação dos filhos dos pobres e dos filhos das classes médias e altas.

Na mesma semana, o Jornal Nacional da Rede Globo mostrou a situação de
nossas escolas, passando a sensação de que assistíamos a notícias de um terremoto, que está a devastar nosso futuro.

Outro programa, o “CQC”, da Rede Band, mostrou escolas em uma cidade do Piauí, certamente piores do que as piores do Mundo. Foi possível ver o futuro. E não pareceu bonito.

Apesar disso, o MEC comemorou os resultados e ainda divulgou nota à imprensa, no dia 14 de agosto, dizendo que “O Brasil tem motivos a comemorar”.

O Ministro está no cargo há apenas oito meses e não tem culpa por este desempenho, mas deveria reconhecer a tragédia, a vergonha e convencer a presidenta da República a fazer pela educação o esforço que vem fazendo na economia.

A presidenta precisa entender a gravidade da falta de infraestrutura educacional, ainda maior do que foi a falta de infraestrutura física, e convocar todo o País a se empenhar por uma urgente Revolução na Educação de Base.

Enquanto o Brasil traça meta para o IDEB alcançar a nota 6,0, em 2021, a China está programando voo tripulado à Lua, antes de 2020.

Análise mais cuidadosa mostra que, na média, as escolas públicas federais se saem melhor do que as particulares. A melhor nota, 8,6, foi obtida por duas escolas particulares: Escola Santa Rita de Cássia e Escola Carmélia Dramis Malaguti conseguiram o primeiro lugar com nota 8,6. Logo em seguida uma pública federal; o Colégio de Aplicação da UFPE teve nota 8,1; e a média das públicas federais do Ensino Fundamental (6,3) foi superior a das escolas particulares (6,0).

Isso mostra que o caminho para fazer a revolução educacional que o Brasil precisa passa pela ampliação da presença federal na Educação Básica. A Federalização exige um Ministério para cuidar apenas da Educação Básica; a implantação de uma Carreira Federal para os professores; e a responsabilidade da União sobre a qualidade de cada escola, todas em horário integral. Isso pode ser feito por cidade, chegando a todo o Brasil no prazo de 20 anos.

Isto pode ser feito. Até porque o futuro tem a cara de sua escola no presente. E a cara de nossas escolas mostra um futuro reprovado.

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF 
(O Globo Blog do NOBLAT).
  

Oscar Filho (CQC) mostra a situação das escolas no interior do Piauí. Vídeo.






2 comentários:

  1. Meu caro Batista.
    Está é nossa realidade: escolas sucateadas, em nome da copa do mundo 2014, olimpíadas 2016 e o pior a conta é grande e vai sobrar dívidas até 2020,2030...São nossos motivos para comemorar.
    É o Brasil do futuro.
    Obrigado pela visita.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Professor Gilberto, fico na duvida se a causa dos desvios tem algo haver com a copa 2014 e as olimpíadas para 2016, essa gente a muito desvia dinheiro público em esquemas fraudulentos, em beneficio próprio, e parceiros mais próximos. Cabe a nós cidadão fiscalizar e denunciar sempre! Obrigado pela colaboração.
      Um abraço.

      Eliminar