20.8.12

Reportagem revela que a empresa do filho de Lula está atolada em dívidas


Carlos Newton

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, começou a trabalhar como modesto empregado do Jardim Zoológico de São Paulo, mas logo foi convidado por alguns amigos a trocar de ramo e se tornar empresário. O sucesso foi tamanho que o orgulhoso pai chegou a compará-lo a Ronaldo, o Fenômeno.

Surgiram então as notícias de que o rapaz teria ficado milionário, havia comprado uma extensa fazenda, pagando à vista e em dinheiro. Mas Lulinha nunca se importou nem desmentiu nada, porque sabe como essa gente gosta de falar, com inveja de quem consegue ganhar dinheiro.

Mas agora vem uma notícia muito desagradável, mostrando que Fábio não era tão Fenômeno assim. Os repórteres José Ernesto Credendio e Andreza Matais, da Folha, revelam que a Gamecorp, empresa criada pelo filho do ex-presidente, está carregada de dívidas, que já chegariam a R$ 6,1 milhões, vejam que situação difícil.

A avaliação foi feita pela Peppe Associados, uma firma de auditoria contratada pela própria Gamecorp para verificar suas contas em 2011. Os auditores fizeram um diagnóstico pouco favorável para o futuro da empresa de Lulinha, e ainda lançaram dúvidas sobre a confiabilidade dos números do balanço da empresa. Segundo o relatório da auditoria, a administração da Gamecorp não divulgou “de forma adequada” a razão de números possivelmente incompatíveis nas
contas. Também não foi possível, escreve a Peppe, ter idéia do valor dos bens da empresa.

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COM DINHEIRO DA OI

Como se sabe, a empresa Gamecorp surgiu em 2004 e recebeu um aporte de R$ 5 milhões da Telemar (hoje Oi). Como a empresa de telefonia tem participação do BNDES, o aporte passou a ser investigado pelo Ministério Público por suspeita de tráfico de influência.

Nos últimos anos a empresa vem acumulando sucessivos prejuízos. Apesar de registrar lucro de R$ 384 mil no ano passado, as perdas acumuladas chegam a R$ 8,6 milhões. Segundo a reportagem da Folha, a dívida de curto prazo, de até 12 meses, subiu de R$ 2,03 milhões, em 2010, para R$ 2,89 milhões no fim do ano passado. A de longo prazo, acima de um ano, saltou de R$ 3 milhões para R$ 3,3 milhões. O total dessas obrigações atinge R$ 6,1 milhões.

Além disso, há uma diferença de R$ 2,2 milhões entre a soma dos bens e dos valores que a empresa tem a receber e as obrigações que contraiu, o que pode configurar risco de insolvência.

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DINHEIRO PÚBLICO

A Folha conta que, no início, segundo o próprio Lulinha, a Gamecorp evitava receber dinheiro de fontes públicas para não gerar eventuais dúvidas sobre favorecimento político. No fim do ano passado, porém, a postura mudou: a empresa recebeu R$ 190 mil por anúncios do Banco do Brasil.

De acordo com um diretor do banco que pediu para não ter o nome publicado, a solicitação partiu do pecuarista José Carlos Bumlai, que é amigo de Lula. A reportagem tentou ouvir de Bumlai a razão do empenho pela Gamecorp, mas não conseguiu contato.

Lulinha também não respondeu ao e-mail encaminhado pela Folha, nem ao recado deixado na Gamecorp. Na sede da empresa, a informação é que ele aparece por lá duas vezes na semana e que não tem secretária ou alguém designado para dar informações à imprensa.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil informou que o diretor de marketing da instituição na época do repasse à Gamecorp era Armando Medeiros, que não está mais no banco.

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IGUAL AO FENOMENO

Lula tinha razão: seu filho é mesmo igual ao Ronaldo Fenômeno, que também se viu obrigado a se aposentar precocemente. A diferença é que o craque da seleção teve graves problemas de saúde, enquanto o empresário Lulinha tem sofrido apenas problemas financeiros. É uma pena que só esteja trabalhando dois dias por semana. Dá mau exemplo aos demais brasileiros, que precisam suar a camisa, entrando em campo todo dia.

(Tribuna da Internet).

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