12.9.12

A corrupção brasileira e as eleições 2012



Estamos em plena disputa pelos cargos municipais, com eleições para prefeitos e vereadores em todo o Brasil. A população de 5.564 municípios elegerá prefeitos e 57.434 vereadores em todo o país. Disputam essas vagas 455.794 candidatos. As eleições estão marcadas para 7 de outubro.

Em Ribeirão Preto, os quase 420 mil eleitores escolhem entre 453 candidatos os 22 novos vereadores, além dos seis candidatos a prefeitos e outros seis vice-prefeitos.

Paralelamente ao processo de escolha de representantes em nossas comunidades, temos a esfera estadual, com 27 governadores eleitos e mais 27 vices, 1.059 deputados estaduais e, no governo federal, a presidência [...]
da República, vice-presidência, 513 deputados federais e mais 81 senadores. São mais de 70 mil representares na república brasileira.

A visão contemporânea, principalmente a do Ocidente, elegeu a democracia e o sistema representativo como modelos e como o espelho no qual se deveria refletir a vontade dos cidadãos e, mais do que isso, o atendimento de suas demandas e necessidades.

Aristóteles, um dos pais da filosofia, nasceu na Grécia em 384 a.C. e foi discípulo de Platão. Em sua formulação e concepção acerca da política, diz que o governo e a política deveriam ser uma consequência e um caminho normal da conduta ética, o que ele denominava de “filosofia prática”.

Para ele, a ética deve preocupar-se e ocupar-se com a felicidade individual de cada pessoa, e a política ocupar-se com a felicidade coletiva de todos os cidadãos. Assim, o trabalho do político e da política é atuar, investigar e descobrir como governar e de que maneira as instituições do governo trarão e criarão uma felicidade coletiva. Define assim o papel do Estado, independentemente da forma de governo.
Aristóteles avalia que um dos principais riscos dos governos democráticos seria descambar para uma representação corrupta, que se afastaria de sua função primária da busca do bem coletivo, criando desvios e privilégios para si.

A corrupção e interesse do indivíduo ou de grupos em detrimento do bem coletivo também não é assunto novo na história do homem nem tampouco das diferentes formas de governo e organização social.
O Brasil infelizmente é avaliado com um dos países mais corruptos do globo, segundo o relatório anual de governança de 1996, organizado pelo Banco Mundial, que mede eficiência no combate à corrupção em 212 países do planeta.

Ocupamos somente a posição 69. Nossa posição é péssima, considerando nossa imprensa livre, nosso Judiciário e, principalmente, nossos 70 mil representantes, que deveriam estar cuidando, zelando, vigiando onde e como os impostos que nós pagamos são investidos.

A Federação das Indústrias (Fiesp) estima um desvio anual entre 41,5 e 69,1 bilhões de reais pela corrupção. Esse dinheiro poderia salvar vidas nos hospitais, na merenda escolar, ser investido, enfim, no bem comum. Claro que a culpa não é só dos políticos, mas também de empresas e empresários dos mais diversos setores que ignoram a ética e bem comum, praticando o ilícito, o ilegal e o imoral.

Assim a pergunta que todos nós eleitores fazemos todos os anos no Brasil é o que está dando errado no sistema político brasileiro, já que, apesar de vivermos a plena liberdade e o pleno direito democrático, a grande maioria da população tem a certeza de que pouco ou quase nada mudará com a troca dos representantes nas diversas esferas representativas.

Podemos destacar vários desvios da estrutura política brasileira que certamente alargarão nossa compreensão do dever ético e cívico que deveria estar atrelado à função de representante e gestor da coisa pública.

A primeira foi a criação em nosso país da “profissão político”, ou seja, no Brasil ser político ou fazer parte de partidos e da política partidária passou a ser um objetivo profissional para se obter remuneração, salário e benefícios.

Além de serem remunerados, os eleitos têm direito à condição de empregar outros milhares de funcionários indicados. Com isso perdemos completamente o senso ético e a ética na política numa escala gigantesca.
Combater, portanto, a corrupção no Brasil é criar mecanismos capazes de acabar com o político profissional. Por exemplo: fim de reeleição em qualquer cargo político pode ser uma ótima proposta. A dedicação de três a cinco anos ao bem público de um cidadão patriota é suficiente, não?

Remuneração

A remuneração em cargos de vereadores, deputados, senadores e de qualquer benefício salarial advindo dessa dedicação deveria ser simbólica, por exemplo, de dois salários mínimos mensais. Nada de auxílio moradia, transporte, etc, etc e etc. Quem puder e se dispuser a servir a causa pública que o faça pelo patriotismo, e por um mandato apenas, alternando sempre os representantes da sociedade.

Os prefeitos, governadores e presidentes deveriam ser de fato administradores capazes, bem formados, tecnicamente preparados para os gigantescos desafios de nossa sociedade. Para isso, precisam de qualificação comprovada, não pela capacidade midiática que é a medida atual, não pela capacidade dos publicitários e marqueteiros e, principalmente, pelo dinheiro investido nas caríssimas campanhas eleitorais.
 Antes de homologadas suas candidaturas, eles deveriam ser sabatinados de verdade num verdadeiro processo seletivo para chegarmos aos melhores administradores e não aos melhores discursadores e aos que melhor aparecem na telinha.

Todo cargo administrativo deveria ser preenchido por concurso público, sem exceção, ou seja, por capacidade e competência comprovada, inclusive secretários de governo, ministros de Estado em todos os níveis, que deveriam ser escolhidos dentre os melhores e mais qualificados profissionais de carreira do serviço público, ou seja, fim do empreguismo político partidário, separando competência e carreira públicas de qualquer vínculo partidário e eletivo, no qual os bons funcionários públicos ocuparão os cargos necessários e disponíveis e atuarão.

Com isso pessoas bem formadas, patriotas, com conhecimento e capacidade, tempo e vontade de se dedicarem à coisa pública de forma idealista voltarão a se interessar por política e pela coisa pública. Essas pessoas atualmente se dedicam ao trabalho voluntário de ajuda humanitária a creches, escolas, fundações e campanhas de benemerência de toda ordem sem nada cobrarem e nada receberem, pelo simples ato de amor ao semelhante e pelo bem comum da sociedade.

Essas pessoas de bom caráter simplesmente se afastaram das lides partidárias e políticas. Elas foram expurgadas na sua maioria por falta de afinidade com partidos e com o podre meio político vigente em nosso país.

Caso a reforma política entre na agenda nacional, esse é um caminho para separar o joio do trigo e caminharmos para uma sociedade na qual haja menos desigualdade e mais respeito à vida e às pessoas.
Assim, não abandonemos nosso desejo de ética, de compromisso real com o bem comum na hora de escolher nossos novos representantes. Mais do que ficha limpa, nosso esforço será o de escolhermos candidatos com consciência limpa e espírito público de verdade, além também de competência administrativa.

Fonte: Adriano de Araújo

2 comentários:

  1. Combater a corrupção no Brasil não é uma tarefa fácil pois depende de um entendimento coletivo do estrago que ela causa ao país, sem uma educação de qualidade para todos, continuaremos fazendo riscos em água e os corruptos continuarão a sorrir, pois eles sabem que nas eleições fica fácil enganar a maior parte dos eleitores que possuem pouco estudo ou muito estudo sem qualidade. Ainda bem que o povo está acordando para a realidade. Eu acredito em dias melhores para todos, menos para os bandidos do Brasil, chamados de corruptos. Um abraço mano.

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    1. A corrupção em nosso país vem das raízes. Relato aqui apenas um, entre os vários casos da origem da Corrupção no Brasil. Conforme a História, já em 1549 o Des. Pedro Borges chega à Bahia para assumir o cargo de ouvidor-mor do Brasil, (um Ministro da Justiça dos dias de hoje), só que este já era fixa suja em Portugal acusado de desviar verbas públicas, foi condenado por D. João III a devolver o dinheiro, e proibido de exercer cargos públicos. Quinze anos depois o mesmo D. João III, escolheu Pedro Borges para vim tratar de todas as questões judiciais no Brasil, em Salvador como não é difícil de imaginar, o desembargador se envolveu em série de questões de corrupção.

      Acusado de má conduta volta para Portugal. Mas nunca foi punido. Os quatros ouvidores gerais que vieram depois dele, três voltaram a Portugal sob as mais diversas acusações.

      Corrupção, esta foi herança imposta aos brasileiros! Bem verdade, o Brasil sempre foi e é um país rico; tem melhorado em suas políticas sociais, mas ainda está longe do necessário. Estamos em constante crescimento. O PIB brasileiro coloca o país na 6ª posição da economia do mundo, (segundo ranking do Banco Mundial). É preciso que esta riqueza chegue aos mais pobres através de políticas públicas, - não bastam programas de combate à fome e miséria, é necessária a desconcentração de renda, preservar os direitos humanos, o meio ambiental, por fim, combater com todo rigor a CORRUPÇÃO, fato este que somente será possível com a REFORMA POLÍTICA.

      Um abraço mano Firmino.

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