14.10.12

O impeachment foi apenas um rio que passou na vida dele: Collor continua o mesmo

Carlos Newton

A revista Época, na edição que está nas bancas, mostra que o ex-presidente Fernando Collor perdeu o poder, mas não abandonou os maus costumes. A reportagem mostra que Acemilton Gonçalves da Silva é jardineiro na Casa da Dinda, residência da família Collor de Mello desde a década de 1960 e atual morada do senador Fernando Collor (PTB-AL) em Brasília.

Mas, para o Senado, o funcionário consta como assistente parlamentar no gabinete de Collor, designado pela sigla burocrática AP08, com salário de R$ 2.200 mensais, pago pela instituição – ou seja, pelo contribuinte.

Além do jardineiro, duas colegas de gabinete são pagas para trabalhar no Senado, mas prestam serviços particulares a Collor: as arquivistas [...]
Carmem Valéria Soares Rocha e Sandra Regina Sasaki, que constam como assistentes parlamentares da categoria AP04, um cargo comissionado cujo salário é de R$ 6,4 mil. No entanto, elas trabalham no Centro de Memória do Presidente Fernando Collor – uma casa branca em frente à Casa da Dinda -, onde organizam o acervo e a biblioteca do local.

As informações da Revista Época destacam que Acemilton foi nomeado por Collor em fevereiro de 2007, uma semana depois da posse como senador. A nomeação saiu no ato número 1.343, de 7 de fevereiro de 2007, um dos famosos atos secretos do Senado, conjunto de medidas que, contrariando a lei, não foram publicadas e provocaram escândalos em 2009. Acemilton, Carmem e Sandra não precisam bater ponto.

Em nota enviada à Época, o chefe de gabinete de Collor, Joberto Mattos de Sant’Anna, respondeu que Acemilton não é jardineiro. “Desempenham, os três servidores (Acemilton, Carmem e Sandra), como assistentes parlamentares, as atividades de apoio que lhes são determinadas”, diz o texto.

A revista fez fotos do jardineiro na Casa da Dinda e informa que Acemilton se identifica como jardineiro no Sistema de Identificação do Distrito Federal. A assessoria de imprensa do Senado informou que é de “responsabilidade de cada gabinete a definição das atividades desenvolvidas pelos seus servidores”.

Traduzindo: Collor não tem jeito, mesmo.
(Tribuna Internet)

4 comentários:

  1. Extremamente interessante seu espaço.È degradante pensar que"Tudo continua como Dantes no quartel de Abrantes".....
    Parabéns pelas postagens inteligentes.Um abraço!

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    1. Pois é, como diz o ditado popular: “Pau que nasce torto até a cinza é torta”, não tem jeito mesmo. Acredito que somente uma reforma política poderia solucionar a questão da corrupção em nosso país. Obrigado pela participação.
      Abraço.

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  2. Isto é vergonhoso, mas existe um dito popular que diz que "o povo tem o governo que merece." Porque as pessoas mesmo conhecendo o passado sujo da criatura o elege senador? Na verdade a maioria da população continua vivendo em plena primitividade pois com pão e circo qualquer corrupto chega ao poder. Valeu mano.

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    1. Interessante seu comentário Firmino. - Muito já avançamos, porém ainda persiste a desigualdade social, carência em saúde e educação. A meus olhos, esses fatores implicam em nossa gente ainda negociarem seu voto por alimentação, e outros tipos de “favores”.
      A oitenta e três anos foi o período do coronelismo no Brasil, O coronel tinha autorização para negociar os votos de sua gente em troca de sua liderança política no município. Como podes ver politicamente o Brasil, pouco mudou.
      Um abraço mano Firmino.

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