26.11.12

Miilitares querem apurar crimes da luta armada. Podiam começar pelo esquartejamento do adolescente ou pelo tenente obrigado a engolir os órgãos genitais.

Carlos Newton
Reportagem de Rubens Valente e Matheus Leitão, na Folha, mostra que representantes dos clubes Militar e Naval, que reúnem militares da reserva do Exército e da Marinha, afirmaram que falta à Comissão da Verdade “ouvir o outro lado” sobre as acusações de crimes contra os direitos humanos na ditadura militar (1964-1985).
Fotos dos guerrilheiros do no Araguaia
É uma reação à atitude do coordenador da Comissão da Verdade, Claudio Fonteles, que acabar de divulgar os primeiros 11 textos produzidos pela comissão.
“A comissão precisa ter fatos de um lado e de outro para ter uma verdade completa, não uma meia verdade. O que parece que nós vamos ter é uma apuração de um lado só″, disse à Folha o almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral, presidente do Clube Naval, acrescentando: “Só ouço falar de militares que estão [...]
arrolados e nenhum dos que fizeram atos de terrorismo na época.”
O primeiro-vice-presidente do Clube Militar, general Sérgio Costa de Castro, disse que os estudos da comissão têm que ser “mais profundos” do que os primeiros textos de Fonteles e também apontou a falta do “outro lado” dos militares. Mas ele considerou os textos “apenas uma opinião” pessoal de Fonteles.
Na verdade, os principais documentos citados por Fonteles já são amplamente conhecidos em reportagens, livros e trabalhos acadêmicos.
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COMISSÃO PARALELA
Para se contrapor à Comissão do governo federal, os militares da reserva decidiram organizar suas próprias “comissões da verdade”, para apurar os crimes cometidos pela luta armada. Simultaneamente, eles estão divulgando na internet depoimentos sobre algumas atrocidades, principalmente as cometidas pela Guerrilha do Araguaia.
O mais impressionante é a transcrição do discurso do Coronel Lício Augusto Maciel na Câmara dos Deputados, em sessão solene ocorrida em 26 de junho de 2005. O militar conta em detalhes como o então guerrilheiro José Genoino traiu seus companheiros, entregando os nomes deles, um por um, sem ter sofrido tortura ou qualquer agressão pelos militares.
Depois, o coronel passa a narrar duas barbaridades cometidas pelos guerrilheiros – o esquartejamento em vida de um adolescente, na presença dos país, e o trucidamente de um tenente do Exército, que antes de morrer teve cortados os órgãos genitais e foi obrigado a engoli-los.
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DENÚNCIA ESTARRECEDORA
Vejam esse trecho do discurso do Coronel Lício Maciel, que ele pronunciou da tribuna como se estivesse se dirigindo diretamente ao então deputado José Genoíno (PT-SP), que não compareceu à sessão, mas segundo o militar, estava assistindo ao evento pela transmissão da TV Câmara:
Genuíno, preso incólume.. 
“Triste notícia veio depois. O grupo do Genoíno prendeu um filho do Antônio Pereira, aquele senhor humilde, que morava nos confins da picada de Pará da Lama, a 100 quilômetros de São Geraldo. O filho dele era um garoto de 17 anos, que eu não queria levar como guia, porque ao olhar para ele me lembrei do meu filho que tinha a mesma idade. Então, eu disse ao João: “Não quero levar o seu filho”. Eu sabia das implicações, ou já desconfiava.
O pobre coitado do rapaz nos seguiu durante uma manhã, das 5h até o meio-dia, quando encontramos os três nos aguardando para almoçar. Pois bem. Depois que nos retiramos, os companheiros do José Genoíno pegaram o rapaz e o esquartejaram.
Genoino, aquele rapaz foi esquartejado! Toda a Xambioá sabe disso, todos os moradores de Xambioá sabem da vida do pobre coitado do Antônio Pereira, pai do João Pereira… E vocês nunca tiveram a coragem de pedir pelo menos uma desculpa por terem esquartejado o rapaz!
Cortaram primeiro uma orelha, na frente da família, no pátio da casa do Antônio Pereira; cortaram a segunda orelha; o rapaz urrava de dor; a mãe desmaiou. Eles continuaram, cortaram os dedos, as mãos, e no final deram a facada que matou João Pereira.
Esse Relatório está no Centro de Instrução Especializada – CIE, porque foi escrito por mim, e eles não abrem para os historiadores com medo de que o relato apareça…
Pois bem. Eles fizeram isso porque o rapaz nos acompanhou durante 6 horas, foi para servir de exemplo aos outros moradores, de forma que não tivessem contato com o pessoal do Exército, das Forças Armadas.
Foi o crime mais hediondo de que eu soube. Nem na Guerra da Coréia e na do Vietnã fizeram isso. Algo parecido só encontrei quando trucidaram o Tenente Alberto Mendes Júnior. O Tenente se apresentou voluntariamente para substituir dois companheiros que estavam feridos. A turma do Lamarca pegou o rapaz, trucidou-o, castrou-o e o obrigou a engolir os órgãos genitais.
O crime contra o João Pereira foi muito mais grave, muito mais horrendo. E eles sabem disso. Peçam desculpas ao Antônio Pereira, se ele estiver vivo! Tenham a coragem de reconhecer que toda a Xambioá sabe disso!
Genoino preso e identificado, a guerrilha prossegue. Depois de matar o João Pereira, eles mataram o Cabo Odílio Cruz Rosa; depois do Rosa, eles mataram dois sargentos; depois dos dois sargentos, eles atiraram no Tenente Álvaro, que deve contar a história. Como estou contando a história aqui, Álvaro, conte a sua história.(…)”
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VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO:
Neste link abaixo pode ser lido o depoimento inteiro do Coronel Lício Maciel. Sem dúvida, merece constar da Comissão da Verdade, se é que seus membros realmente são pessoas de bem e querem saber toda a verdade sobre a luta armada.
(Tribuna da Internet).


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