7.3.13

Corrupção mata

O fato de o crime ser denunciado como habitual já é um grande passo
                                                                                 
                                                                   Por Onofre Ribeiro

Vou me basear em três fatos. 1 – conferência dos senadores Cristovam Buarque e Pedro Taques na maçonaria, em Cuiabá na semana passada; 2 – na promessa de combate sangrento à corrupção, feita pelo presidente empossado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também na semana passada, e 3- na denúncia do prefeito Mauro Mendes, nesta semana, de desvios de remédios e de materiais no Pronto Socorro de Cuiabá.

O que há em comum entre os três fatos, é a corrupção, manifesta nas suas diversas formas. 

Quando se desvia vergonhosamente o dinheiro da Saúde para compra superfaturadas de medicamentos e de serviços contratados por governos, está se matando pessoas inocentes que morrem nos corredores dos prontos socorros, nas enfermarias e nas maternidades do país.

Quando se desvia dinheiro das rodovias, está se matando gente que morre aos milhares no trânsito. 

Quando se desvia o sagrado dinheiro da Educação, as mortes são em série. 

Morre gente no crime, porque não tem opção de emprego, morre nos prontos socorros em crimes de morte, morrem à míngua nas cadeias, de onde também se desvia até o dinheiro da comida dos presos.

O senador Pedro Taques disse que em 18 anos como procurador da República não conseguiu “por na cadeia” os corruptos que denunciou. 

Claro, o rico dinheiro público desviado serve também pra pagar bons advogados. Mas o coitado que procurou a saúde, a escola e acabou preso, morreu por não atendimento, por não ter atendimento educacional, ou morreu em algum descaminho da sua vida. 

Mas se roubou uma bicicleta velha ou um pacote de bolachas, pega até três anos de cadeia. Já o corrupto do dinheiro público não será preso e nem devolverá o dinheiro desviado.

No Pronto-Socorro de Cuiabá não é de hoje que se desvia medicamentos para clínicas e hospitais privados. Um recente secretário de saúde de Cuiabá confidenciou-me que o pronto socorro de Cuiabá era o único comprador de fios de suturas em cirurgia na capital. 

Segundo ele, as milhares de cirurgias realizadas em Cuiabá usavam fios comprados pelo pronto socorro. Quanta gente morreu ali costurada com barbante, para os endinheirados serem costurados com fios adequados?

Já o Poder Judiciário entrou no imaginário popular como instituição contaminada pela corrupção. A venda de sentenças por magistrados não mata pessoas diretamente, mas destrói negócios, destrói família, destrói carreiras profissionais e destrói esperanças da sociedade contra a barbárie das injustiças. 

Penso que o presidente eleito, Orlando Perri, vai ser vítima de milhares de intrigas produzidas no meio judicial, por conta da sua promessa de combate severo aos crimes de corrupção. 

Quando um comportamento fica cultural, se torna legítimo aos olhos de quem o pratica, e certamente muita intriga vai ser atirada contra o presidente Orlando Perri. Mas a sociedade o apoiará. Basta que denuncie.

De qualquer modo, a corrupção não acabará em um mandato. Mas o fato dela ser denunciada como habitual, já é um passo muito grande. Roubar remédios, dinheiro da Saúde e da Educação ou sentenças vendidas já são do conhecimento público, ainda que permaneçam sempre impunes. 

É pouco, mas é muito!

Sem comentários:

Enviar um comentário