16.9.13

Joaquim Barbosa não gosta de perder. E agora?

Do Blog Nirlando Beirão


Continua valendo o que Heródoto Barbeiro e eu comentamos no Jornal da Record News de quinta-feira passada – o dia em que o ministro Joaquim Barbosa resolveu interromper abruptamente o julgamento do mensalão e deixar a decisão para esta quarta-feira:
1 – foi uma manobra política do presidente do STF. O único voto que faltava, o do decano da casa, Celso de Mello, estava redigido e o próprio ministro disse que não tomaria mais que cinco minutos para anunciá-lo. Por que Joaquim Barbosa, sempre tão pressuroso quando se trata de trovejar, resmungar e punir, dessa vez não demonstrou pressa alguma em ouvir o que o coleguinha tinha a dizer?
2 – sabem por que? Porque Celso de Mello vai dar um voto que contraria o perseguidor-geral. Vai votar a favor dos embargos infringentes, ou seja, vai conceder à defesa dos acusados o direito que a Constituição lhes faculta. Não se trata de absolver os condenados, longe disso, mas de cumprir a lei (e não se incorporar ao linchamento promovido por Barbosa et caterva).
3 – Joaquim Barbosa não é do tipo que sabe perder. Mas vai perder. Ganhou tempo para tentar engolir a soberba (ou torcer para que o espírito de arquibancada da mídia compadre viesse a constranger o ministro Celso de Mello).
4 – o adiamento foi combinado. Os que votaram contra os embargos levaram horas em suas perorações. Se o pimpão Luis Fux, o emburrado Guilmar Mendes, o debochado Marco Aurélio de Mello deliciaram-se infinitamente com suas próprias palavras, dessa vez não foi só um exercIcio de egolatria, foi um jeito de facilitar as coisas para que Barbosa impedisse a decisão final (desfavorável a eles).
5 – a ironia é essa: não é a turma do Barbosa que tem muita pressa para botar os condenados na cadeia? Por quer então essa manha do adiamento?
6 – como presidente do STF, Joaquim Barbosa poderia se conceder o direito de ser o último a votar. Se tivesse convicção de que seu voto seria decisivo, claro que não abriria mão do holofote da vitória e da duvidosa honra (no entanto tão cultivada por ele) de ser o grande justiceiro. Não, como já sabia do fracasso, preferiu antecipar seu voto.
Mas, aqui entre nós, não há de ser do ministro Barbosa, tão cheio de si na hora dos louros e louvores, que alguém deve cobrar humildade na derrota.

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