13.10.13

Marina Silva e consequências

Heron Guimarães
A decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB conseguiu sacudir o Brasil e colocou uma interrogação na cabeça de todo mundo, fazendo com que os caciques do PSDB e do PT, as principais forças políticas do país, colocassem as barbas de molho.
Pelo lado petista, o marqueteiro João Santana, que já tinha esboçado o seu pensamento de que Dilma levaria a reeleição sem muita dificuldade, certamente deu um passo para trás. Ao marcar reuniões de emergência com Dilma e Lula, indica um sinal amarelo.
Portanto, apesar de a novidade trazer luz a eleitores e ampliar o leque de possibilidades viáveis para 2014, o que é bem melhor do que a polarização entre tucanos e petistas, ainda não esclarece qual é o papel de Marina.
Neste momento, preocupa muito mais aos partidos o poder destrutivo de Marina do que a capacidade que ela tem de conquistar ou alavancar candidaturas.
Na verdade, PT, PSDB e o próprio PSB, após o susto inicial de sábado passado, contabilizam o que Marina pode tirar. Os tucanos enxergam ameaça clara à estratégia de utilizar palanques duplos com os socialistas em alguns Estados, incluindo Minas Gerais.
AÉCIO PERDE
Até agora, a impressão que se tem, mesmo que ela não venha a ser confirmada, é que Aécio foi passado para trás por uma ardilosa engenharia, milimetricamente computada pelo governador pernambucano. Uma completa inversão de papéis, capaz de transformar o senador mineiro em mera cereja do bolo.
Por mais paradoxal que possa parecer, a cabeça de muitos socialistas também não está calma. Para esses, é preciso tomar cuidado extremo. Marina pode até ajudar na visibilidade de Campos, mas, de forma alguma, seria o melhor par para 2014. Não se pode ir à guerra com um vice que seja maior que o próprio candidato.
Em um cenário tendo a mentora do fracassado Rede como vice, Eduardo teria mesmo muitos problemas, a começar pela dificuldade de compreender a confusa mentalidade da “sonhática”, que, mesmo tendo a possibilidade de se lançar candidata, prefere se aliar a um projeto que não é o seu.
Por outro lado, quem imaginava ver a acreana no páreo não esconde uma ponta de decepção de vê-la como vice no PSB. Os enigmas de Marina serão, por muito tempo ainda, o maior peso das eleições do ano que vem.
A ex-ministra de Lula, que se revoltou contra o PT, não se adaptou ao PV e, inexplicavelmente, vacilou na hora H, não conseguindo habilitar seu partido, estaria jogando fora a grande oportunidade de sua carreira política?
Pelo jeito, Marina, ao contrário do que sua baixa estatura e seu discurso possam revelar, é muito mais pragmática do que programática.
Tribuna da Imprensa

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