8.1.14

Uma vida, uma Esperança - Chico Leitoa

Foto do dia do casamento, Beta e seu chapéu 
que ela mesma confeccionou.
Há 34 anos, 28 de julho de 1979, na Cidade de. Parnaíba, sob as bênçãos do Padre John Patric, na igreja de São Sebastião, casamos Eu e a Beta. Uma cerimônia simples onde apenas alguns familiares puderam comparecer. 

Eu cursava Engenharia civil na Universidade Federal do Piauí e ministrava aulas em escola particular em Teresina e escola publica em Timon, além de estagiar numa empresa privada na construção de casas para a classe media de Teresina. Era uma vida atribulada. Sem transporte e morando em Timon, tinha que percorrer grandes distâncias a pé, de ônibus e caronas, principalmente em uma moto que o meu irmão João Damasceno me emprestava. Combinamos, Eu e Beta, que só teríamos filhos após eu terminar o curso. Porém, com menos de onze meses de casamento, nascia nosso primeiro filho. Um ano depois do nascimento do primogênito, conclui o curso e dois meses depois, nasceu o segundo filho.

Um ano depois do nascimento do segundo, nascia prematuramente, a única filha (Izana), que veio a falecer com 16 dias de vida.

Foram anos de muitas lutas e adaptações, iniciando a vida profissional, com dois filhos e como âncoras de nossas famílias, eu e Beta fomos nos dividindo entre estruturar nosso lar. Ella cuidando das crianças e da casa, e eu me firmando como Engenheiro na iniciativa privada. Pouco antes de me formar, conseguimos fazer, no próprio terreno onde morava toda a família, quatro cômodos, aonde praticamente, nem chegamos a morar. Ao assumir as atividades de engenheiro, logo compramos o primeiro carro (uma Brasília), com um ano o primeiro carro zero e com menos de dois anos, a casa onde moramos até hoje, que passou por uma boa reforma.

Depois do carro novo, fizemos inúmeras e felizes viagens à Parnaiba onde meu sogro era o maestro da banda de música da policia militar e onde a Beta em função da transferência de seu pai, morou por dez anos, três dos quais namoramos e noivamos.

Já se vão trinta e oito anos de convivência e trinta e cinco de casamento sempre pautado na compreensão e companheirismo além, claro, do sentimento que nos une. Enfrentamos sempre juntos os problemas que são inerentes à vida de qualquer casal.

A partir de um determinado momento, dona Beta começou a dividir comigo as atividades empresariais, seja na construção de casas, até a instalação de uma loja de comercializar ferro, em maio de 1987, na Av. Miguel Rosa, próximo à ponte metálica. Começamos com seis e no final de um ano tínhamos um estoque de 100 toneladas de ferro. Somente eu, Beta e João Paulo trabalhávamos lá, sendo que dona Beta além de gerenciar fazia as entregas.

O negocio ia de vento em popa. Veio a primeira campanha para prefeito em 1988 e consumiu a loja. Mais ou menos na mesma época e praticamente do mesmo porte, nascia a hoje gigante Ferronorte.

Nos anos de 89 e 90, praticamente morei em São Luís, com as crianças pequenas. Beta não podia me acompanhar, mas estava sempre disposta e varias vezes dirigia sozinha de Timon a São Luís. Nas ferias escolares ela permanecia na capital maranhense com os pequenos.

A minha entrada na política teve seu aval e sempre esteve à frente em todos os momentos, seja em campanhas, seja em governos. Ela nunca reclamou da gente ter gasto em campanhas, o que ganhamos trabalhando empresarialmente, uma grana que poderia ser hoje um grande patrimônio. Não lamentamos por isso, o que nos faz falta hoje, é a saúde dela. Há cinco anos, acometida de uma doença neurológica degenerativa e hereditária, ocasionada por lesão no cerebelo (órgão responsável pela emissão de comando dos demais através do cérebro) denominada ataxia cerebelar. São milhares de ataxias, algumas a estatística é de uma pessoa por país no mundo. Mas nem o tipo da ataxia, a ciência tem meios de identificar.

Na foto, dona Beta e a neta Ana Luíza. Logo acima, Pedro Estevão, o neto, ambos filhos de Luciano Leitoa com Aldeneide Carvalho.

Buscamos todos os meios de cura. Desde dois anos no Sara em São Luís, dezenas de médicos e clinicas em vários Estados, centenas de exames até fora do País, cura religiosa, remédio caseiro, orações, muitas orações e mesmo assim a doença avança lentamente.

Hoje vejo minha companheira debilitada, e com certeza sofrendo por não poder levar uma vida normal sob todos os aspectos inclusive curtir melhor os belos netos e ajudando mais diretamente o Luciano na sua grande tarefa. Mas não se entrega e está sempre ligada através das redes sociais e se cuidando como pode. Ela sempre foi da linha de frente. Além, claro, de não poder usufruir na plenitude, a solidez do nosso casamento, quando entro no ano de completar 60 e caminhamos para quatro décadas que estamos juntos.

Quantos momentos já foram subtraídos em função do seu estado de saúde. Lembro da última viagem a Barreirinhas, antes da manifestação da doença, em fevereiro de 2009. A foto abaixo retrata o que foram aqueles três dias.

Hoje nos apegamos a Deus e temos esperança de vê-la pelo menos ter sua saúde melhorada. Esta brava mulher que sempre procurou ajudar as pessoas e sempre foi cheia de vida, merece ser curada pela mão divina. Oremos…Deus testa os seus!!!
                                                                                                       
Engenheiro Chico Leitoa

(Do blog do Elias Lacerda)

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