4.2.14

Cubana do Mais Médicos deixa local de trabalho e pedirá asilo

Médica vai ficar abrigada na liderança do DEM na Câmara dos Deputados, que vai entrar com pedido para ela ficar no Brasil

Médica cubana diz que não sabia que haveria diferença entre os ganhos de
médicos estrangeirosFoto: Fernando Diniz / Terra
Uma médica cubana do programa Mais Médicos lotada na cidade de Pacajá, no Pará, foi levada nesta terça-feira para a Câmara dos Deputados, onde ficará abrigada na liderança dos Democratas (DEM). A profissional disse que fugiu de seu local de trabalho por ter se sentido enganada ao ficar sabendo do contrato do governo brasileiro com Cuba, onde a maior parte do salário pago fica com o país caribenho. O DEM afirma que pedirá amanhã com pedido de asilo político para a cubana no Ministério da Justiça.

Ramona Matos Rodrigues, 51 anos, assinou contrato para atuar no Brasil no dia 27 de setembro do ano passado. Ela afirma ter sido informada em Cuba que receberia US$ 400 por mês no País (aproximadamente R$ 966) e que outros US$ 600 (R$ 1.450) seriam
depositado em uma conta em seu país, valor que poderia sacar no fim do programa. Ela também ganhava R$ 750 da prefeitura em auxílio alimentação, além de estadia e transportes bancados pelo programa.

“Quando eu vi que havia esta diferença, eu me senti muito mal. (...) Me senti enganada”, disse a médica, natural de Havana. Ela conta que achou o salário bom inicialmente, pois ganhava US$ 30 por mês em Cuba, mas que não imaginava que o custo de vida no Brasil seria alto.
A médica disse ter ficado sabendo da discrepância de pagamento com profissionais de outros países quando esteve em um curso em Brasília, em outubro do ano passado. “Quando eu estive no curso, estiveram outros médicos de outros países, argentinos, colombianos, que falavam para nós que iam ganhar R$10 mil reais”, disse.
Ramona alega ter fugido na última sexta-feira e não detalha como chegou sábado a Brasília, onde encontrou o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ela foi levada pelo parlamentar ao plenário da Câmara na noite desta terça; Caiado foi um dos principais críticos do programa Mais Médicos na Casa.
A cubana disse ter sido avisada por uma amiga que a Polícia Federal (PF) procurou por ela depois de ter deixado a cidade. Ela teme ser presa e deportada para Cuba. O contrato assinado por ela não fala em deportação.
O deputado Ronaldo Caiado colocou em dúvida a razão social da empresa com quem o governo brasileiro assinou os contratos. Segundo ele, o governo alegava que se tratava de um convênio com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), enquanto o contrato indica que a médica assinou contrato com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos. ”Essa é a utilização explícita da mão de obra escrava”, criticou.

Fonte: Terra

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