9.12.14

Um mar de problemas

Henrique Eduardo Alves, Dilma Rousseff e Renan Calheiros (Imagem: Divulgação
Hubert Alqueres - Nunca, neste país, um governo se iniciou em um mar problemas como o do segundo mandato de Dilma. Muitos deles, diga-se de passagem, criados por ela própria.

Mal foi eleita, a presidente assumiu a agenda do seu adversário, aquela que ela tanto combateu.

Resultado: não granjeou simpatia dos eleitores de Aécio e disseminou indignação nas suas “bases populares”.

A cúpula do PT engoliu goela abaixo a indicação de Joaquim Levy. Nos intramuros, porém, promete resistir à implantação da “agenda dos vencidos”.
A presidente parecia ter acertado o tom quando escolheu o novo ministro da Fazenda.

Na sua primeira entrevista, Levy falou em regras claras, superávit primário factível e no fim da injeção de recursos do Tesouro no BNDES que só turbinam aventuras como a de Eike Batista.

Mas o trem descarrilado continuou fora dos trilhos. O governo editou uma Medida Provisória autorizando o repasse de RS 30 bilhões do Tesouro ao BNDES.  A farra do boi continua.

Assim, não há ministro milagreiro que dê jeito na queda livre da credibilidade do governo.

E como acreditar que em 2015 tudo será diferente? Será que o superávit primário de 1,2%, com o qual se comprometeu Levy, é para valer?

Quem assegura que, se isso não for alcançado, Dilma não repetirá a dose e descumprirá a meta fiscal com o aval do Congresso?

A dúvida é legítima, diante do estupro da Lei de Responsabilidade Fiscal perpetrado pelo governo, concretizado às custas da institucionalização do escambo na relação entre Poder Executivo e Legislativo.

Hoje, mais do que ontem, a presidente está prisioneira de sua base de sustentação, com a qual mantém uma relação de tapas e beijos. Mais tapas e menos beijos, é verdade.
Blog do Noblat

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