14.3.15

Usuária de crack perde tudo e faz relato emocionante; assista vídeo

                                                                                                 Imagem: Reprodução

Encurvada, se preparando para dar uma tragada no crack, Gerciane Maria Silva Soares, 36 anos, olha com apreensão para a equipe de reportagem que lhe aborda para um bate-papo.

Ela resiste, mas acaba cedendo e começa a entrevista com um conselho: “Quer viver uma vida sem amigos, destruída, use o crack”. Assim, inicia o desabafo da moradora de rua, Gerciane, conhecida como Baiana, que vive nas ruas de Teresina há dois anos. 

“Amada (é assim que chama as pessoas), deixa eu, aqui, guardar meu segundo marido”, diz Baiana mostrando para equipe um velho cachimbo cheio de maconha e crack. “Eu não me largo dele”, conta

. Para Baiana, o uso do crack não é vício é “doença” e explica sua convicção: “A gente consegue se livrar de qualquer vício, menos do crack. É fácil entrar, mas sair é difícil”.

Antes de morar na rua, Baiana, tinha um lar. Era casada há 15 anos, mãe de quatro filhos – uma de 19 anos, 14, 12 e seis anos - e com residência fixa, largou tudo, devido o vício do crack. Ela revela que não conseguia conviver com a família e temia que os filhos seguisse o caminho das drogas. “Isso eu não aguentaria. Eles nunca me viram com drogas”, disse com voz embargada ao falar dos filhos. Ela para a entrevista, chora e pede para mudar de assunto, argumentando que é um assunto que lhe deixa triste.
Quer escrever um livro

Comunicativa e simpática, Baiana conta que está escrevendo um livro e vai publicar na internet.
“Quero mostrar para as pessoas como cheguei até aqui. Já escrevi seis páginas e quero publicar na internet e mostrar que crack faz você perde tudo”.  
Ela revelou que já foi presa, morou em albergue, e atualmente vive em uma espécie de caixa de papelão no bairro Redenção ao lado de uma das “cracolândia” da zona Sul de Teresina. 

No local, ela cria sete gatos e escreveu no muro ao lado do casebre. “Deus é fiel e você não”. Para anemizar a solidão, ela batizou os gatos de “Noinha”, “Noiado” e chama o vento de “Félix”. “Às vezes o Félix vem e destrói tudo, aí, converso com ele e alivia”.
Baiana revela que não tem dificuldade de encontrar droga. “Uma pedra se compra a R$ 5,00, R$ 10,00. É difícil encontrar roupa, comida, mas droga é fácil”. 
“Meu conselho é que a pessoa que está começando neste mundo das drogas, principalmente o crack, pare logo. É sem volta. Muito ruim. Isso não é vida e tenho esperança que um dia eu saio dela. Tudo tem seu tempo e fé”. 

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