10.4.15

RECEITA PRECISA SE MANIFESTAR SOBRE O CASO DO DELEGADO DO HSCB

Deu em O Globo
Cento e noventa e quatro milhões e novecentos mil dólares. Este é o saldo que, segundo planilhas do HSBC da Suíça, constava na conta relacionada ao delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo e empresário do ramo de segurança Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira entre 2006 e 2007. Mesmo com esse valor no banco em Genebra — o que faz dele um dos dez brasileiros com mais dinheiro na instituição —, Oliveira não abriu mão de brigar na Justiça por uma aposentadoria mais robusta. Nos últimos anos, entrou com pelo menos oito ações para pedir revisão de seus vencimentos. Ganhou parte delas e recorre naquelas em que perdeu. De acordo com o site de transparência do governo de São Paulo, ele recebe R$ 10 mil líquidos pelos serviços prestados à Polícia Civil.
Ao longo de sua carreira, Miguel Oliveira foi delegado-assistente do Departamento de Polícia Judiciária (Decap), órgão responsável pelas 93 delegacias da capital paulista. Como parte de seu trabalho, chegou a ser enviado a Miami e a Nova York para conhecer algumas experiências de combate ao crime organizado.
CONTAS SIGILOSAS
Segundo levantamento feito nos documentos do HSBC da Suíça, Oliveira aparece relacionado a duas contas sigilosas, identificadas por um número. A primeira foi aberta no dia 10 de novembro de 2005, e a segunda, em 29 de dezembro daquele ano. Em 2006/2007, as duas estão ligadas a três empresas offshores, que não apareciam relacionadas a mais ninguém dentro do banco. Trata-se da Hollowed Turf, com endereços na Suíça, em Liechtenstein, Ilhas Virgens Britânicas e Seychelles, da Hallowed Ground Foundation e da Springside Corporation.
Em 1998, uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou como o delegado, que ainda estava na ativa, começou a constituir seu patrimônio a partir de negócios relacionados a seu ofício. Dono de duas empresas privadas de segurança (Vanguarda Segurança e Vigilância e a Nacional), ele passou a ter uma rotina de luxo, que incluía um apartamento de alto padrão no bairro dos Jardins, segundo a “Folha”.
Além de delegado e empresário da segurança, Oliveira também teve incorporadoras. Entre 1994 e 2003, foi dono de pelo menos três: a MGPO, que fazia “locação, arrendamento, loteamento e incorporação de imóveis”, a Ibiuna Marina Golf Club, que construiu condomínios de luxo em Ibiúna (SP) e a Esplanada Pinheiros Empreendimentos Imobiliários. Em 2011, migrou para o setor de limpeza, fundando a Interativa Service.
Oliveira também tem também muitos imóveis em seu nome. Em São Paulo são pelo menos cinco, segundo pesquisa feita em cartórios da cidade e na Junta Comercial. Um de seus apartamentos fica no prédio da senadora Marta Suplicy no Jardins e é justamente o endereço que aparece nos documentos do HSBC. O imóvel tem 633 metros quadrados e cinco vagas na garagem. Há 12 anos, custou-lhe R$ 1,1 milhão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A matéria foi enviada pelo comentarista Armando Gama, sempre atento. No caso, ninguém pode ser acusado por acumular tanta riqueza, seja delegado, prostituta ou banqueiro. Mas a Receita Federal tem obrigação de esclarecer se este cidadão sonegou ou não impostos. O mais interessante, no seu currículo, é o desesperado empenho em aumentar a aposentadoria. Mostra ser uma pessoa com a alma voltada exclusivamente para o Deus Dinheiro. Como dizia Vinicius de Moraes, trata-se de um pobre menino rico. Ou de um pobre diabo. (C.N.)
Fonte: Tribuna da Internet

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