14.9.16

'Lula era o comandante máximo de esquema de corrupção', diz MPF

AGÊNCIA ESTADO
A Operação Lava Jato denunciou formalmente nesta quarta-feira (14),o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira dama Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, dois funcionários da empreiteira e outros dois investigados. Todos foram denunciados no caso triplex no Guarujá (SP).
Em entrevista coletiva, o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, disse que Lula liderava o grupo. "Luiz Inácio Lula da Silva é o comandante máximo da Lava Jato", disse o procurador.
O procurador afirma que o ex-presidente ocupava o topo de uma pirâmide de corrupção, no qual um núcleo político ocupava a parte superior. Segundo o procurador, as empresas eram corrompidas. Dallagnol diz que as empresas que não aceitassem o jogo não teriam serviços contratados pelo governo federal.
Segundo ele, a propina no âmbito da Petrobras totalizou R$ 6,2 bilhões. O procurador diz que o esquema, que ele chama de "propinocracia", extrapola a esfera da Petrobras. "Petrolão faz parte de um esquema maior chamado aqui de propinocracia", diz Dallagnol, ressaltando que há investigações relacionadas a contratos da Eletrobras, da Caixa e dos ministérios da Saúde e do Planejamento.
Denúncia
De acordo com a Lava Jato, Lula recebeu "benesses" da empreiteira OAS - uma das líderes do cartel que pagava propinas na Petrobras - em obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris.
O prédio foi construído pela Bancoop (cooperativa habitacional do sindicato dos bancários), que teve como presidente o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto - preso desde abril de 2015. O imóvel foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira.
O imóvel, de 215 metros quadrados, recebeu obras avaliadas em R$ 777 mil, móveis no total de R$ 320 mil e eletrodomésticos no valor de R$ 19 mil - totalizando R$ 1,1 milhão.
Para comprovar a posse do imóvel, Dallagnol aponta visitas feitas por Lula e pelos seus familiares ao apartamento, o que supostamente indicaria que eles estariam coordenando a reforma.
Segundo Dallagnol, a OAS teria feito tais alterações, de acordo com as especificações definidas por Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, beneficiando-se de três contratos firmados com a Petrobras.
Em troca dos serviços, a empreiteira teria pago propina equivalente a 3% dos contratos. O valor teria sido repassado a diretorias da estatal, responsáveis por captar os valores. Tais valores teriam sido repassados a Alberto Youssef, Mário Góes e João Vaccari Neto.
O valor acordo, no entanto, não teria sido repassado diretamente a Lula, mas ficaria à disposição do ex-presidente no que o procurador chama de caixa-geral da propina. Diferente de outros políticos, Lula, José Dirceu e outras figuras do alto escalão teriam tal caixa disponível.
Além da reforma do apartamento do Guarujá, Lula teria sido beneficiado pelo armazenamento de objetos pessoais em São Paulo. Depois que deixou a presidência, Lula teria transferido seus pertences para dois endereços: o sítio em Atibaia e um galpão em São Paulo.
Segundo o procurador, as notas das transportadoras confirmam o transporte. Os bens armazenados, no entanto, teriam sido descritos como materiais da OAS. Segundo o MPF, seria uma tentativa de ocultar a propriedade. O material ficou armazenado por cinco anos.
Outros seis foram indiciados
Léo Pinheiro
Paulo Gordilho
Paulo Okamotto
Agenor Franklin Magalhães Medeiros
Fábio Hori Yonamine
Roberto Moreira Ferreira
Fonte: o tempo

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